Prevenção

É possível prevenir um AVC? O papel do Doppler de carótidas

O estreitamento das artérias do pescoço pode causar um derrame sem dar sinais. Entenda como o ultrassom ajuda a identificar esse risco a tempo e o que fazer para reduzi-lo.

Em resumo

  • A maioria dos AVCs acontece quando um coágulo ou fragmento de placa bloqueia uma artéria do cérebro.
  • Placas de gordura nas artérias carótidas, no pescoço, são uma das origens desses bloqueios.
  • O Doppler de carótidas é um ultrassom sem dor e sem radiação que mostra essas placas e mede quanto elas estreitam a artéria.
  • Com o diagnóstico, o médico pode tratar os fatores de risco e, em casos selecionados, indicar cirurgia antes que o AVC aconteça.

Uma das doenças mais comuns que atingem tanto homens quanto mulheres é o acidente vascular cerebral, o AVC, também chamado de derrame. Segundo o Ministério da Saúde, ele está entre as principais causas de morte e de incapacidade no Brasil. A boa notícia é que boa parte dos casos pode ser prevenida, e um exame simples de ultrassom tem papel importante nisso.

O que é o AVC

O AVC acontece quando o sangue deixa de chegar a uma parte do cérebro. Sem oxigênio, as células daquela região começam a morrer em poucos minutos. Existem dois tipos principais:

  • AVC isquêmico: uma artéria é bloqueada por um coágulo ou por um fragmento de placa. É o tipo mais comum, responsável por cerca de 8 em cada 10 casos.
  • AVC hemorrágico: um vaso se rompe e o sangue extravasa dentro do cérebro.

As consequências dependem da área atingida e do tempo até o atendimento. Podem incluir paralisia de um lado do corpo, dificuldade para falar, alterações de visão e, nos casos graves, a morte.

Qual a relação entre as carótidas e o AVC

As artérias carótidas são duas, uma de cada lado do pescoço. Junto com as artérias vertebrais, elas levam ao cérebro todo o sangue de que ele precisa.

Com o passar dos anos, e principalmente na presença de pressão alta, colesterol elevado, diabetes e tabagismo, placas de gordura e cálcio se acumulam na parede dessas artérias. Esse processo se chama aterosclerose.

A placa causa problema de duas formas:

  1. Estreitamento (estenose): a obstrução reduz o calibre da artéria. Assim, o sangue passa a circular mais rapidamente e de forma turbulenta, o que favorece a formação de coágulos.
  2. Embolia: um pedaço da placa ou um coágulo formado sobre ela se solta, segue pela corrente sanguínea e bloqueia uma artéria menor dentro do cérebro.
O estreitamento da carótida costuma não dar nenhum sintoma até o dia do AVC. Por isso o exame é tão importante em quem tem risco.
Converse com o seu médico sobre os seus fatores de risco e sobre a necessidade do exame.

Fatores de risco

Alguns fatores aumentam a chance de formar placas nas carótidas e de ter um AVC. Parte deles pode ser controlada:

Fatores que podem ser controlados

  • Pressão alta, o principal fator de risco para AVC
  • Tabagismo
  • Colesterol elevado
  • Diabetes
  • Sedentarismo e excesso de peso
  • Consumo excessivo de álcool
  • Arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, quando não tratadas

Fatores que não podem ser mudados

  • Idade, com risco maior a partir dos 55 anos
  • Histórico de AVC ou infarto na família
  • AVC ou ataque isquêmico transitório anterior

Sinais de alerta: o que fazer na hora

Suspeita de AVC é emergência. Ligue 192.

Alguns tratamentos do AVC só funcionam se começarem nas primeiras horas. Use o teste SAMU para reconhecer os sinais:

S
Peça para a pessoa
sorrir
. A boca fica torta?
A
Peça um
abraço
. Um dos braços está fraco ou cai?
M
Peça para cantar uma
música
. A fala sai enrolada ou estranha?
U
Urgente:
se notar qualquer sinal, ligue 192 imediatamente.

Fique atento também ao ataque isquêmico transitório (AIT), às vezes chamado de “mini-AVC”: os mesmos sintomas aparecem e somem sozinhos em minutos. Mesmo que passe, ele é um aviso importante de que um AVC pode estar próximo e precisa de avaliação médica no mesmo dia.

O que é o Doppler de carótidas

O ultrassom com Doppler das artérias carótidas e vertebrais é um exame de imagem que avalia as artérias do pescoço. Ele combina duas informações:

  • A imagem da artéria: mostra a parede do vaso, a presença de placas, o tamanho e o aspecto delas.
  • O fluxo do sangue: o efeito Doppler mede a velocidade com que o sangue passa. Quando há estreitamento, a velocidade aumenta, e é isso que permite estimar o grau da obstrução.

Como o exame é feito

Você fica deitado, com a cabeça levemente virada para o lado oposto ao examinado. O médico aplica gel no pescoço e desliza o transdutor ao longo das artérias, dos dois lados. O exame leva em média de 20 a 30 minutos.

  • Não precisa de preparo nem de jejum.
  • É indolor, sem agulhas, sem contraste e sem radiação.
  • Use roupa que deixe o pescoço livre e evite colares.

Quem deve fazer o exame

O Doppler de carótidas é pedido pelo médico quando há motivo para investigar. As situações mais comuns são:

  • Sintomas neurológicos, mesmo que passageiros, como fraqueza, formigamento ou perda de visão de um olho
  • AVC ou ataque isquêmico transitório anterior
  • Sopro nas carótidas percebido pelo médico no exame físico
  • Doença das artérias em outros locais, como coronárias ou pernas
  • Vários fatores de risco ao mesmo tempo
  • Avaliação antes de algumas cirurgias, como as cardíacas
  • Acompanhamento de estreitamentos já conhecidos ou após cirurgia nas carótidas

Para pessoas sem sintomas e sem fatores de risco, o exame de rotina geralmente não é recomendado. Converse com o seu médico: ele é quem avalia se o exame faz sentido para você.

Como o resultado é interpretado

O laudo descreve as placas encontradas e classifica o grau de estreitamento de cada artéria. De forma geral:

Grau de estreitamentoO que costuma significar
Sem estreitamentoArtérias normais ou com espessamento discreto da parede.
Menor que 50%Placa presente, com fluxo preservado. Acompanhamento e controle dos fatores de risco.
De 50% a 69%Estreitamento moderado. O médico define tratamento e intervalo de reavaliação.
70% ou maisEstreitamento importante. Pode haver indicação de avaliação com cirurgião vascular.
OclusãoArtéria completamente fechada. Avaliação especializada.

A classificação é apenas uma parte da decisão. Os sintomas, a idade e as outras doenças de cada pessoa também contam. Por isso, leve o laudo ao médico que pediu o exame.

Tratamento

Encontrar uma placa não significa, necessariamente, precisar de cirurgia. Na maioria dos casos, o tratamento envolve:

  • Controle dos fatores de risco: pressão, colesterol, diabetes e abandono do cigarro.
  • Medicamentos prescritos pelo médico, como os que reduzem o colesterol e os que diminuem a formação de coágulos.
  • Cirurgia (endarterectomia) ou angioplastia com stent, reservadas para estreitamentos importantes, principalmente em quem já teve sintomas.

Como reduzir o risco no dia a dia

  • Meça a pressão regularmente e siga o tratamento, se tiver hipertensão.
  • Não fume. O risco começa a cair logo após parar.
  • Faça atividade física: a recomendação é de pelo menos 150 minutos por semana de atividade moderada, como caminhada.
  • Prefira alimentos naturais, com frutas, verduras e grãos, e reduza sal, açúcar e gordura.
  • Mantenha o peso adequado e modere o consumo de álcool.
  • Faça os exames de rotina pedidos pelo seu médico e mantenha o colesterol e a glicemia sob controle.

Perguntas frequentes

O Doppler de carótidas precisa de preparo?

Não. O exame não exige jejum nem preparo. Basta vir com roupa que deixe o pescoço livre.

O exame dói ou usa radiação?

Não. É um ultrassom: indolor, sem agulhas, sem contraste e sem radiação. Pode ser repetido quantas vezes o médico achar necessário.

De quanto em quanto tempo devo repetir o exame?

Depende do resultado e do seu risco. Quem tem estreitamento conhecido costuma repetir em intervalos definidos pelo médico. Quem tem exame normal geralmente não precisa repetir com frequência.

Estreitamento na carótida sempre precisa de cirurgia?

Não. A maioria dos casos é tratada com controle dos fatores de risco e medicamentos. Cirurgia ou stent ficam reservados para estreitamentos importantes, conforme avaliação do especialista.

Referências

  1. Ministério da Saúde. AVC: acidente vascular cerebral.
  2. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. sbacv.org.br.
  3. Rede Brasil AVC. redebrasilavc.org.br.
Dr. Luiz Carlos Nadolny Junior
Dr. Luiz Carlos Nadolny Junior
Revisão médica

Médico ultrassonografista e sócio-fundador da Deltasonic. Membro titular do Colégio Brasileiro de Radiologia e da Sociedade Brasileira de Ultrassonografia, com título em ecografia vascular com Doppler.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de sintomas de AVC, ligue imediatamente para o SAMU, no 192.

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Na Deltasonic, o exame é feito por médico com título em ecografia vascular com Doppler. Sem preparo e com hora marcada.